Um Canto Pra Chamar de Seu
.
Quem gosta não precisa de local nem de hora! Para alguns ler é quase rotina, além de prazer! Ler no transporte coletivo ou na sala de espera do dentista pode não ser o ideal, mas é muito praticado, tendo em vista a vida moderna.
Em muitas situações o ônibus ou a sala do consultório podem ser os melhores locais, já que em algumas residências isso nem sempre é possível (afazeres; concorrência da TV, do computador e do celular; crianças pra lá e pra cá e maridos/mulheres pra cá e pra lá).
Lembro bem – quando ainda menino e ansioso por livros - minha mãe recomendava que eu tivesse o meu canto próprio. Tanto para guardar meus poucos livros, à época, quanto para deliciar-me com a leitura. Podia até mesmo ser num pedacinho da sala de jantar (como aconteceu). Um canto, dizia ela: "seu, só seu”. Aquilo que, anos mais tarde, Erasmo Carlos iria incluir (e muito bem) em uma das canções que fez: “um canto pra chamar de seu...” (Só que Erasmo Carlos usou o termo "homem", no lugar de canto, até porque, na música, a história era outra).
Sempre tive meus cantos de livros e de leitura. Cheguei à ousadia de montar pequena biblioteca em uma das casas onde morei. Biblioteca foi e ainda é sonho de quem admira livros e similares. Bibliotecas e salas com lareiras (outro exemplo) são (ou eram) charme como mostram e "ensinam" filmes e mesmo livros.
Hoje em dia, tendo em vista tantos empecilhos, bibliotecas nem sempre são prioridade. Não há espaço! Além disso, livros estão muito caros. No Brasil, principalmente!
Nada disso impede que tenhamos um canto para chamar de nosso! Se não para nós, diretamente, para crianças que estão por perto. Ter canto para os livros e para a leitura é algo surpreendentemente incentivador para quem está se iniciando no fascinante mundo das descobertas a partir dos livros.
Mas... Só irá funcionar para quem gosta!
-------------------------------------------------------------------------
Por que este artigo chegou agora?
O assunto sempre esteve em mim. Mas, confesso, ele hoje
está aqui pelo fato de eu ter visto uma foto...
A foto que mostra ambiente bem moderno, colorido, limpo,
tranquilo e que, de imediato, me lembrou daquilo que
menciono como "um canto pra chamar de seu". No caso da
foto, nem lembra bem biblioteca (do meu estilo). Mas é
ambiente muito acolhedor... Que, sim, pode ser o canto de
leitura de alguém... Não acham?

A foto é de autoria de uma jovem que, entre outras qualidades,
escreve muito bem! Ela é conhecida como tonga da milonga
e tem fotos publicadas no Flickr, o site do Yahoo.
A Galeria dela pode ser vista clicando-se aqui...
.
- Por favor, se logue ou se registre para poder enviar comentários
- 216 leituras

Ter um canto próprio e uma biblioteca particular são mesmo sonhos!! E ainda chegaremos lá, nem que seja na marra (e terá de ser na marra).
Meu local de leitura - e muito inapropriado - é nos bancos dos trens que tenho que pegar todos os dias. É uma hora que se tornou útil! Não fosse pelos livros, aquela coisa de se perder horas do dia na locomoção da casa-trabalho-casa seria realmente uma perda irreparável.
Engraçado como dentro de casa não dá pra fazer isso, por causa desses motivos que citou e outros mais. E nem pra ir a uma praça e sentar num banco para ler. Eu pelo menos não tenho essa coragem. É quase impossível sentar-se sozinho numa praça e permanecer seguramente sozinho por mais de 5 minutos. Pena, pois seria um lugar perfeito pra isso - e pra escrever, pintar, desenhar, como antigamente.
Muito bem ilustrado o seu simpático e oportuno texto. Um cantinho, um violão, um livro, um som... quantas coisas boas se pode fazer num canto da casa. E um cantinho especial para leitura, é tudo de bom!
Mas na falta de canto, como você mesmo disse, muitos outros lugares podem servir para se fazer uma boa leitura.
Abração,
Mestre Moura,
Este artigo chegou em muito boa hora, pois retrata o dia-a-dia de todos que temos o prazer de viver nesta Página Literária e que sentimos sua evolução dia a dia. Este artigo somos nós que visitamos este sítio diuturnamente, em quaisquer cinco minutos que nos sobrem livres, cheios de certeza de que sempre leremos um texto interessante e original (só não entendo como o Fábbio consegue ler deitado.. há..há - eu durmo se tento ler na horizontal). Seu talento em expressar um ponto de vista através da escrita é, realmente, ALGO.
Grato pelo prazer da leitura que nos proporcionou. É sempre bom quando lemos um texto e nos sentimos parte dele.
HMoura, este assunto me interessa sobremaneira. No meu caso, ler deitado ou com certa inclinação do corpo tem sido um vício desde a infância - talvez tenha a ver com inconscientemente saber que preciso de mais irrigação sanguínea na cabeça para compreender melhor o que leio... rs. Ou preguiça mesmo.
De fato como é bom ter um local próprio (os mais de um), rotineiro sem ser tedioso, em atmosfera de paz, em que possamos nos auto-hipnotizar com um livro afável!
Não possuo a leitura nem o cabedal de conhecimento de que gostaria, mas tenho me esmerado um pouco, sem perder o ânimo (mesmo acreditando ser a leitura prazerosa a mais válida), e geralmente me encontro comigo mesmo num canto especial de casa ou noutras ambiências acolhedoras, ora sentado numa velha cadeira de praia (ainda que dentro de casa), ora entortando minha cervical nas almofadas escostadas no espaldar da cama, se possível a ouvir música erudita.
Um bom livro faz de qualquer canto um mundo. Um canto especial, então - como você expõe neste seu texto inspirador -, possibilita-nos novos mundos, uma infinidade deles, e o "en... canto" que é poder viajar a eles.