
Vagueio, errante no silêncio da noite tendo por companhia o eco dos meus próprios passos.
Ao longe, oiço o silvar do primeiro comboio da manhã. Aos poucos o dia vai amanhecendo e eu continuo sem saber o que foi o anoitecer.
Pessoas passam por mim agora, com cara de sono mal dormido, outras com um sorriso nos lábios, talvez com memórias do amor que fizeram na cumplicidade da noite e eu continuo vagueando com os primeiros raios de sol queimando meus olhos e me deixando ainda mais errante
Não vejo o caminho agora como o não via ontem.
Olho para trás, procurando o fio da minha vida e só vejo um novelo completamente emaranhado. Meu Deus, onde está a ponta? Como hei-de desembaraçar isto? Só, penso não o conseguir fazer. E então recordo quando estavas a meu lado, quando me ajudavas, quando eu te ajudava.
O novelo então era bem bonito, colorido e com as pontas no lugar. Tudo era QUASE perfeito (só porque a perfeição não existe, para mim). Tinha-te, tu tinhas-me e os nossos passos caminhavam firmes lado a lado, na calada da noite ou no brilho dos dias. Tecíamos belas rendas, fazíamos lindo tricô e tudo estava em seu lugar, como soldados perfilados marchando ao som de comando.
A voz de comando calou-se e a nossa vida ruiu. Que aconteceu, não sei e já nem sei se quero saber
Apenas sei que tenho de voltar a ter voz firme de comando para poder encontrar o fio deste emaranhado e desfilar com passo seguro no silêncio da noite e no brilho dos dias. Sozinha, talvez, agora já digo talvez…